Graça...


Eu estava experimentando "graça comum", para utilizar o termo teológico. Descobri que é terrível sentir-se grato e não ter ninguém para agradecer, estar extasiado e não ter ninguém para adorar. Gradualmente, muito gradualmente, voltei para a fé descartada da minha infância. Eu havia experimentado "gotas da graça", a expressão usada por C. S. Lewis para descrever aquilo que desperta uma saudade profunda do "perfume de uma flor que não descobrimos, o eco de uma melodia que não ouvimos, notícias de um país que nunca visitamos".
Eu tinha ainda uma última casca para descartar em meu trajeto para o crescimento na graça. Entendi que a imagem de Deus com a qual eu fora criado era lamentavelmente incompleta. Vim a conhecer um Deus que é, nas palavras do salmista, "um Deus piedoso e benigno, tardio em irar-se, e de grande amor".
A graça é de graça para pessoas que não merecem, e eu sou uma dessas pessoas. Lembro-me do que eu era — ressentido, seriamente marcado pela ira, um simples elo endurecido em uma longa cadeia de não-graças aprendidas na família e na igreja. Agora estou tentando de minha própria e despretensiosa maneira tocar a melodia da graça.
Eu o faço porque sei, com mais certeza do que qualquer outra coisa, que qualquer sentimento de cura, de perdão ou de bondade que eu tenha tido vem apenas da graça de Deus. Espero, sinceramente, que a igreja se torne uma cultura nutridora dessa graça.

1 comments:

Ronaldo said...

Muleke eh isso mesmo, a graça eh tudo na nossa vida!
Nao precisamos de mais nada.. soh da Graça!